sábado, 22 de fevereiro de 2025

A SINFONIA DO FODA SE - Maurício Nunes - LOBO

A bela sinfonia do Foda-se, é assim que vou sempre lembrar esse livro.

Lobo foi surreal na verdade de sentimentos, foi visceral no amor e nas dores.

Imaginei ele escrevendo as poesias com sangue nos olhos, com raiva, com alegria e amor, tudo junto e misturado.

É fácil ler algo profundo, de uma verdade reluzente, e não sentir e pensar, “é isso mesmo”.

É mágico poder ler sem filtro o que cada poesia quer dizer, entender a profundidade de cada parágrafo... esse livro me fez viajar e compartilhar emoções.

Entre Karma que tô karmo, o Tambor, Sonata de Ré Menor para Solitude, e Cânticos para Ninguém Escutar, mergulhei em poesia e filosofia pura e sem travas.

E a playlist de músicas? Lobo fez uma playlist no Spotify com as músicas de suas poesias, ou poesias de suas músicas, não importa... o que importa é que quando ouvi ele cantar, cada palavra tinha som e voz do próprio autor.

Foi corajosa e nua a forma como as poesias tiradas de suas percepções e experiências se tornaram tão profundas e reais a cada página.

Escrever dessa forma, nos coloca despidos de tudo e abertos e livres para sentir e pensar em tudo e sobre tudo.

No Suflê de Opinião me deparei e me identifiquei com o óbvio, o insano e o libertador.

“sim, eu gosto de silêncio

Não, eu não gosto de multidão

Sim, eu prefiro os livros

Não, eu não me assusto com a solidão”

Esse é apenas um parágrafo de uma das poesias...

E faz tanto, mas tanto sentido, que fica impossível não ler “A Sinfonia do F#da-se” e continuar sendo a mesma pessoa.

Sim! Todos os seres merecem ler esse livro.


 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

VEM PRA RUA - Rogério Chequer & Colin Butterfield

Vem pra Rua...

Esse livro fala da história de um movimento popular, apartidário, que mexeu literalmente com as entranhas do povo brasileiro.

Eu faço parte da geração Cara Pintada, eu fui uma Cara Pintada.

Acompanhei e vi a movimentação do Vem Pra Rua, em 2014. Chequer e Colin mobilizaram no Largo da Batata em São Paulo a primeira manifestação, e essa foi só a primeira que aconteceria. O Vem Pra Rua teve o seu primeiro capitulo, eu morava em São Paulo; participei em 2015 na Paulista, na frente do Masp, da manifestação em apoio à Lava Jato.

Faz mais ou menos uns 6 anos que comprei esse livro, e nunca tinha lido, mas no final do ano passado comecei a ler, e, para mim surpresa, foi um encontro com uma história da qual vivi e vi passar pela minha existência.

Ler e lembrar dessa história me levou a sentimentos e lugares de muito orgulho, mas também para alguns momentos de raiva. Pois tudo o que fizemos, nós Caras Pintadas, tudo o que o Vem Pra Rua fez, e ainda estamos morrendo na beira da praia.

Estamos ainda com um PT e um presidente que não é digno da sua própria história, quem dirá da história de um país.

O triste é saber e entender que como povo, somos ignorantes e gostamos de sofrer.

Como povo, não nos damos ao trabalho de manter o que foi feito ou mudado.

É claro que a força emana do povo, e o povo se dá ao direito de ter esse poder. Podemos fazer, podemos ser melhores, basta querer.

A alegria é de me reencontrar com uma história de homens e mulheres que fizeram história e que sim, procuraram melhorar o país e o lugar onde vivem.

Eu vi, eu participei... e tenho saudades dessa época em que agir era necessário, e havia ação!

Colin e Chequer vocês provaram que era possível.

Vamos tentar novamente?

Será mais fácil agora, já sabem o caminho das pedras.