Lembro da primeira vez que li Fernando Pessoa. Pensei: que homem genial, que poeta fora da curva, que história na poesia tão complexa.
Continuo achando tudo isso, mas esse livro me levou a vários momentos, até mesmo de certa raivinha de Fernando Pessoa.
Um tanto quanto desprovido de simplicidade, Pessoa me fez ter muitos porquês sobre a forma como enxergava o mundo.
De forma poética, satirizou Deus, banalizou a morte e enlouqueceu a razão.
“Procuro dizer o que sinto
Sem pensar no que sinto.
Procuro encostar as palavras à ideia
E não procurar dum corredor
Do pensamento para as palavras.”
E foi assim o livro inteiro: uma montanha-russa. Li e reli diversos versos, dos quais vários me colocaram à prova sobre quem eu sou, penso e sinto.
Aí descobri que, no fundo, era exatamente isso que ele queria.
Bagunçar tudo e deixar que cada um se descobrisse em cada verso e em cada soneto.
Fernando Pessoa é assim: para quem chega de mansinho, ele parece magnífico.
Para quem cria intimidade, os defeitos logo aparecem.
Mas, como em qualquer família, a convivência pode durar anos.
Com muita complexidade, muitos altos e baixos e muita persistência para não amar demais — e não odiar mais ainda.
É genial, porque te faz pensar e girar.
Girar e cair.
Cair e se afogar em tantas idas e vindas de uma mente inquietante.

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