Há encontros literários que não nascem da afinidade, mas da abertura de ler o que não estamos acostumados a ler.
O Vale Proibido me levou a um território que, à primeira vista, não me pertence: o bangue-bangue, o faroeste no estilo norte-americano, seco, árido, distante do universo que costumo habitar como leitora. Ainda assim, permaneci.
E permaneci porque, por trás da paisagem bruta, havia delicadeza.
O livro se constrói como um quase conto breve, preciso, mas atravessado por uma suavidade inesperada, quase um sopro de romance em meio ao pó e ao silêncio. Há, na escrita, um cuidado com os detalhes que não grita, mas sustenta. Uma elegância discreta que conduz o leitor sem esforço.
A narrativa não se impõe. Ela convida.
Percebe-se que a leitura, quando não limitada aos próprios gostos, expande. Abre frestas. Desorganiza certezas. Há uma espécie de descanso nisso. não o descanso passivo, mas aquele que vem da suspensão das preferências habituais, da entrega ao desconhecido.
Foi exatamente isso que encontrei aqui: um respiro.
Um encontro inesperado com um tema que não me era familiar, mas que, ainda assim, fez sentido. Que me prendeu, não pela força, mas pela sutileza. Que me acolheu, não pela identificação imediata, mas pela experiência.
Ler O Vale Proibido foi, no fim, um exercício silencioso de ampliação.
E talvez seja isso que a boa literatura faz, nos tira do lugar sem nos perder de nós mesmos.

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